
Realmente não devemos acreditar naquele negócio de que as coisas nunca acontecerão com a gente. Acontecem sim.
Sábado de manhã, seis da matina o relógio toca e como hábito, devoro o meu lanche preparado na véspera (pão integral com queijo branco) e vou resolver minhas pendências fisiológicas para garantir uma corrida tranqüila. E desta vez não foi diferente.
Nos encontramos às sete e partimos para um longo de 18, 19K, num dia bonito de sol, e neste horário, ainda bem fresco.
Primeira metade do percurso numa boa, agraciados com uma bela sombra na estrada, por causa do sol ainda baixo, chegamos em Saltinho e na padaria de costume, fizemos um pitstop para reabastecer o squeeze com água, tomar um gatorade e o gel.
Rapidamente pegamos o rumo de volta pra casa.
Até aí, tudo como sempre fizemos. Desta vez até não teve a famosa paçoquinha pra repor as energias, a única diferença foi a mudança na marca do gel de carboidrato, do CarbUp para um tal de Exceed, que até então desconhecia.
Mas não demorou muito pra que o motor começasse a dar sinais de que havia abastecido com combustível diferente e que não tava conseguindo fazer os devidos ajustes.
Começou de leve mas faltando uns 7K de estrada para fechar o treino, parecia que carregava uma gato bravo dentro da barriga. Até tentei acelerar o passo pra tentar chegar mais rápido mas o tal “gato” roncava e se debatia, me fazendo praticamente andar pelo acostamento.
E graças ao excesso de confiança no episódio fisiológico matinal que falei no começo do post, não levei comigo o recomendado papel higiênico.
Putz, isso vai dar m…., literalmente, pensei.
Corria por mais uns 2 ou 3K mas fazendo tanta força pra segurar aquele tsunami estomacal que suava em bicas, e olha que o sol nem tava castigando tanto assim.
No meio da estrada, sem papel, uma ziquezira insuportável e vários km até o carro… o que fazer?
Bom, comecei a lembrar dos episódios do McGiver que assistia na minha adolescência pra ver se aquilo me dava alguma luz , nesse ponto já corria olhando pelo acostamento em busca de algum papel divino. Com havia chovido a noite toda, minhas chances de encontrar papel por ali eram tão remotas quanto fazer uma maratona num pace de 3min/km.
E não é que por um milagre do destino, encontro uma caixa de papelão, destas parecidas com caixa de fogão, ali no acostamento e com cara de ter sido jogada recentemente pois estava seca e limpa?!
Volto aos episódios do McGiver e rasgo um bom pedaço da caixa de papelão e correndo na estrada, suando feito um bode velho, começo a desmontar o papelão duro pra tirar de dentro aquela parte mais molinha, ondulada. Que cena!
Pronto. Papel nas mãos, faltava agora um lugar para o derradeiro “gran finale”. E numa estrada movimentada, isso não é nada fácil.
É engraçado porque quando o nosso corpo percebe que já há condições propícias para estas coisas, ele parece que força mais a barra ainda, nos incapacitando totalmente enquanto não obedecemos aos seus pedidos. Normalmente isso acontece quando estamos com dor de barriga na rua e chegamos em casa. Parece que aperta ainda mais.
Com olhos de radar, vejo um morro ao lado do acostamento e com um pequeno desnível entre um canavial e a estrada. Bingo! Perfeito!
Subi o tal barranco, me escondi atrás do que parecia uma trincheira e com uma visão privilegiada da estrada me preparei para esta nova experiência.
De forma rápida e sem dó o inquilino bagunceiro e indesejável foi despejado da minha casa. Um alívio imenso tomou conta naquele minuto, algo como morfina para os queimados.
Papelão salvador, por sinal muito melhor que muitas marcas de papel por aí, e pronto.
Deixava ali na estrada para a eternidade, mais um episódio comum na vida de muitos corredores, mas que achei que nunca iria acontecer comigo.
Os últimos Km fora só alegria. Parecia correr sobre as nuvens, leve como pena de ganso. Dava pra correr uma Badwater depois de tanto alívio.
E nessa volta já ia pensando se contava essa aventura ou não por aqui no blog e cheguei a conclusão que sim. Afinal, é uma coisa que pode acontecer com qualquer um que se sinta desafiado a fazer longões por lugares como este, sem as devidas precauções.
Só não sabia ainda como contar de forma leve e sutil, ainda mais porque muitos lêem meus posts na hora do almoço, mas acho que consegui… rsrs
No próximo longão com certeza vou mais precavido e daqui em diante vou acreditar mais no que minha falecida avó já dizia – “cautela e caldo de galinha não faz mal a ninguém”.
Bom início de semana a todos… e vamos correndo!








