
Odeio musculação. Já até comentei por aqui que não acho a menor graça em ficar num ambiente com temperatura desértica, cheio de marmanjos sarados se devorando no espelho além daquelas cocotinhas perfumadas (até demais) que fazem todos os aparelhos falando ao celular.
Já estou fazendo academia há uns seis meses e mesmo com aquela vontade, tento fazer da melhor forma. Bom, pelo menos nos dias que não dou o famoso migué, que não foram poucos.
Até semana passada tava fazendo mais séries para hipertrofia, pois segundo um consenso entre meu treinador e a nutricionista, deveria ganhar um pouco mais de massa muscular pra acelerar o metabolismo e por conseqüência queimar mais rápido meu estoque adiposo.
Tivemos resultado sim, perdi dois quilos, pela minha última avaliação, e agora, faltando apenas pouco mais de 30 dias para a minha primeira meia, tenho que tentar enxigar pelo menos mais dois. A idéia inicial seria derreter mais três, mas se conseguir estes dois já ta de bom tamanho.
Ontem o treino mudou. E como mudou.
Até então, entre um aparelho e outro eu dava aquela relaxada, uma conversada ali, um papo aqui, enrolava mesmo. Depois de uns 5 minutos passava para a próxima máquina. Até que era bom. Já tô até com saudade desse treino.
Agora o lance é circuito. Pouca carga, repetição aos montes e sem intervalo entre as séries, e pra dar o toque final, tudo isso intercalado com 1’30 de corrida na esteira mais 40 abdominais.
Fui para o primeiro aparelho, de supino alguma coisa, e mandei ver. 30 repetições com um pesinho tranqüilo. Tranquilo até o décimo movimento. Depois desse, a cada movimento parecia que colocavam 1 quilo a mais. Terminei com os braços bambos e já fui correndo pra outro aparelho, de mergulho não-sei-onde, a gente sobe numa base e tem de elevar o corpo puxando como barra. Esse foi punk! Vinte movimentos como solicitado, metade deles com os braços amortecidos.
Voei pra esteira, pelo menos por 2 minutos me sentiria em casa, correndo. Mesmo achando correr na esteira mais sem graça que picolé de chuchu, pra mim tava sendo um alívio. Pena que passou rápido. Fui para os abdominais e pronto, primeiro ciclo fechado. Faltavam mais 3. Ai, ai.
O segundo era só pernas. Adutor e abdutor, acho que é isso. Pouco peso e muitas repetições. Saí de lá andando como caranguejo e fui pra esteira novamente. Mais abdominais e pronto. Faltam apenas dois ciclos.
Esse foi o mais difícil. Fazer bíceps alternado sobre uma plataforma molenga. Além de me preocupar com o movimento correto dos braços tinha de tentar parar de pé ali. Propriocepção, segundo meu treinador. Junto com esse, outro exercício muito difícil consistia em segurar em duas argolas e mergulhar com os braços esticados para frente, tentando segurar meu peso com meu corpo inclinado pra frente e voltar a ficar de pé. Fácil como empurrar um Fiat 147 atolado na areia.
Só dava tempo de dar uma estrebuchada entre um exercício e outro e dá-lhe chibatada.
Nem lembro quais foram os últimos exercícios, só sei que fechei todos eles e terminei o treino babando e encharcado de suor.
Achei que essa segunda iria ser light, musculação como antes, mais papo furado que aparelho, ainda mais depois de 2h30 de bike no sábado mais 10K de corrida no domingo, mas o pega foi forte.
E hoje, descanso? Que nada! Mais 12K de trote intercalando com duas vezes de 20 minutos de ritmo de prova. Amanhã? 8 de trote mais 10 tiros de 200 metros porrada total. Na quinta, academia e seu circuito matador, e na sexta. Ahhhh a sexta, day-off total, já pensando no longão de uns 20K no sábado.
É… não é fácil querer se transformar, de pangaré barrigudinho num corredor de verdade.
Exige dedicação, força de vontade e treino, muito treino.
Mas quer saber, cruzar a linha de chegada e voltar com uma medalha no peito, por exemplo, numa São Silvestre, compensa tudo isso.
E vamos correndo!








