Um nº 2, por favor!

segunda-feira, fevereiro 8, 2010 Posted by Augusto

papelhig

Realmente não devemos acreditar naquele negócio de que as coisas nunca acontecerão com a gente. Acontecem sim.

Sábado de manhã, seis da matina o relógio toca e como hábito, devoro o meu lanche preparado na véspera (pão integral com queijo branco) e vou resolver minhas pendências fisiológicas para garantir uma corrida tranqüila. E desta vez não foi diferente.

Nos encontramos às sete e partimos para um longo de 18, 19K, num dia bonito de sol, e neste horário, ainda bem fresco.

Primeira metade do percurso numa boa, agraciados com uma bela sombra na estrada, por causa do sol ainda baixo, chegamos em Saltinho e na padaria de costume, fizemos um pitstop para reabastecer o squeeze com água, tomar um gatorade e o gel.

Rapidamente pegamos o rumo de volta pra casa.

Até aí, tudo como sempre fizemos. Desta vez até não teve a famosa paçoquinha pra repor as energias, a única diferença foi a mudança na marca do gel de carboidrato, do CarbUp para um tal de Exceed, que até então desconhecia.

Mas não demorou muito pra que o motor começasse a dar sinais de que havia abastecido com combustível diferente e que não tava conseguindo fazer os devidos ajustes.

Começou de leve mas faltando uns 7K de estrada para fechar o treino, parecia que carregava uma gato bravo dentro da barriga. Até tentei acelerar o passo pra tentar chegar mais rápido mas o tal “gato” roncava e se debatia, me fazendo praticamente andar pelo acostamento.

E graças ao excesso de confiança no episódio fisiológico matinal que falei no começo do post, não levei comigo o recomendado papel higiênico.

Putz, isso vai dar m…., literalmente, pensei.

Corria por mais uns 2 ou 3K mas fazendo tanta força pra segurar aquele tsunami estomacal que suava em bicas, e olha que o sol nem tava castigando tanto assim.

No meio da estrada, sem papel, uma ziquezira insuportável e vários km até o carro… o que fazer?

Bom, comecei a lembrar dos episódios do McGiver que assistia na minha adolescência pra ver se aquilo me dava alguma luz , nesse ponto já corria olhando pelo acostamento em busca de algum papel divino. Com havia chovido a noite toda, minhas chances de encontrar papel por ali eram tão remotas quanto fazer uma maratona num pace de 3min/km.

E não é que por um milagre do destino, encontro uma caixa de papelão, destas parecidas com caixa de fogão, ali no acostamento e com cara de ter sido jogada recentemente pois estava seca e limpa?!

Volto aos episódios do McGiver e rasgo um bom pedaço da caixa de papelão e correndo na estrada, suando feito um bode velho, começo a desmontar o papelão duro pra tirar de dentro aquela parte mais molinha, ondulada. Que cena!

Pronto. Papel nas mãos, faltava agora um lugar para o derradeiro “gran finale”. E numa estrada movimentada, isso não é nada fácil.

É engraçado porque quando o nosso corpo percebe que já há condições propícias para estas coisas, ele parece que força mais a barra ainda, nos incapacitando totalmente enquanto não obedecemos aos seus pedidos. Normalmente isso acontece quando estamos com dor de barriga na rua e chegamos em casa. Parece que aperta ainda mais.

Com olhos de radar, vejo um morro ao lado do acostamento e com um pequeno desnível entre um canavial e a estrada. Bingo! Perfeito!

Subi o tal barranco, me escondi atrás do que parecia uma trincheira e com uma visão privilegiada da estrada me preparei para esta nova experiência.

De forma rápida e sem dó o inquilino bagunceiro e indesejável foi despejado da minha casa. Um alívio imenso tomou conta naquele minuto, algo como morfina para os queimados.

Papelão salvador, por sinal muito melhor que muitas marcas de papel por aí, e pronto.

Deixava ali na estrada para a eternidade, mais um episódio comum na vida de muitos corredores, mas que achei que nunca iria acontecer comigo.

Os últimos Km fora só alegria. Parecia correr sobre as nuvens, leve como pena de ganso. Dava pra correr uma Badwater depois de tanto alívio.

E nessa volta já ia pensando se contava essa aventura ou não por aqui no blog e cheguei a conclusão que sim. Afinal, é uma coisa que pode acontecer com qualquer um que se sinta desafiado a fazer longões por lugares como este, sem as devidas precauções.

Só não sabia ainda como contar de forma leve e sutil, ainda mais porque muitos lêem meus posts na hora do almoço, mas acho que consegui… rsrs

No próximo longão com certeza vou mais precavido e daqui em diante vou acreditar mais no que minha falecida avó já dizia – “cautela e caldo de galinha não faz mal a ninguém”.

Bom início de semana a todos… e vamos correndo!

Obrigado.

sexta-feira, fevereiro 5, 2010 Posted by Augusto

large_thanks

Quando comecei este blog, em março do ano passado, a intenção era apenas de manter um diário online dos meus treinos e a evolução. Escrevia para mim mesmo. Nem entre os amigos próximos falei sobre o blog como também nunca saí pela net fazendo propaganda dele, mesmo sendo esta a minha profissão, de “vender o peixe”.

Aos poucos, fui percebendo que alguns comentários começavam a aparecer sobre os assuntos que eu escrevia e que algumas pessoas se identificavam com a minha história.

Estas visitas foram aumentando e algumas pessoas começaram a passar por aqui diariamente, deixando comentários quase que na maioria das vezes, de incentivo.

Sempre fui um cara tímido, daqueles que  não tem muita facilidade em conversar em público ou ser o centro das atenções como nos temidos trabalhos de escola, onde tinha que ir lá na frente e falar pra classe inteira ouvir. Eu queria morrer.

Percebi que escrevendo, conseguia “falar” muito mais as coisas que eu pensava, de forma mais clara, e sem se preocupar se tinha ou não platéia na minha frente.

Nunca fui redator e nem tenho essa pretensão. Aqui na agência tem o nosso redator e estou a anos luz do cara em matéria de redigir textos, mas da minha forma de escrever, acho que consigo transmitir o que realmente penso ou sinto sobre determinado assunto.

E com estes textos, que retratavam e ainda retratam o meu dia-a-dia, comecei a conhecer pessoas parecidas ou que, de uma forma ou outra, se identificavam com essas palavras.

Com o tempo, achei que o blog deveria ter uma cara mais bonita, que passasse a ter um ar mais agradável e que fizesse estes novos amigos se sentirem em casa. Depois, passou a ter “casa própria”, com um domínio próprio.

Amigos já me falaram – “porque você não vende espaço publicitário no blog, isso dá uma graninha”, mas não é essa a intenção. Esse espaço é como uma “sala” aberta aos amigos, um espaço pra bater papo, sem compromisso. Não quero encher essa “sala” com carrinhos de pipoca, cachorro quente, algodão doce, compro-ouro… quero que todos se sintam a vontade aqui da forma como está.

Já ouvi várias vezes, pessoas falando pra eu guardar todos estes posts e transformar num livro mais pra frente, pra servir de motivação pra os outros. Isso sim, penso em fazer.

Hoje, muitas pessoas passam por aqui diariamente, umas deixam comentários, a grande maioria segue em silêncio, mas sei que estão por aqui. Alguns já tive o grande prazer de conhecer pessoalmente, outros sei que é apenas questão de tempo pra conhecer e alguns não, mas a consideração é a mesma, são pessoas que perdem minutos preciosos do seu dia pra ler estas coisas que eu escrevo aqui, relatos de um cara normal, mas que decidiu dar uma reviravolta na vida e hoje faz parte dessa grande e maravilhosa família, que são os corredores.

Ontem pude perceber o tamanho dessa “família” que tenho aqui no blog. Muitos foram os comentários de força, incentivo, assim como por e-mail e até pelo telefone, de gente me dando força. Isso não tem preço.

Quero aqui agradecer a todos vocês que sempre passam pela minha modesta ”sala” e trazem de presente pacotes de incentivo, ajuda e motivação.

Obrigado mesmo. De coração.

E vamos correndo!

Um dia depois do outro

quinta-feira, fevereiro 4, 2010 Posted by Augusto

calendar

Nada como uma boa noite de sono pra gente pelo menos tentar remediar o estrago que uma notícia ruim pode nos fazer.

Ontem fiz o meu treino no comecinho da noite e pelo menos por uma hora (59min58seg. pra ser exato), me desliguei do assunto e entrei de cabeça na minha corrida, som alto, uma verdadeira faxina mental. Tava precisando e muito. Foram 10K que me fizeram deixar de lado um pouco da preocupação e do extremo nervosismo com o qual passei o dia de ontem.

Acho que é, numa comparação extrema, como o alcoólatra que vê num copo de bebida a saída para seus problemas. Sorte que meu vício é outro, é do bem.

Mas queira ou não, comecei a rever todos os meus planos que havia traçado para 2010. Muitas idéias permanecerão no papel, algumas já estavam dando como certas, mas agora a coisa é diferente.

É claro que torço pra que isso se resolva logo e a gente possa seguir a diante como se nada tivesse acontecido, mas ao mesmo tempo me vem as lembranças do passado e a luta demorada que foi pra recomeçar.

Uma das minhas metas para este ano seria correr a meia do Rio de Janeiro, mas se nada for resolvido, voltará para o papel, mesmo lamentando muito, assim como todas as 4 provas do circuito Adidas, que gostaria muito de fechar a mandala de medalhas mas que são caras, entre outras.

Com certeza é dolorido você planejar, sonhar e na hora que acha que está tudo sob controle, o leme quebra e você vê o barco viajando meio sem rumo, contando com a sorte pra aportar em algum lugar seguro.

Mas como eu disse, tenho fé que isso se resolva logo e possa realizar grandes sonhos este ano.

Caso não aconteça, paciência. Vou continuar correndo, treinando, trabalhando e escrevendo, que são coisas que me proporcionam um grande prazer e ajudam a disfarçar o outro lado.

Quero muito agradecer a todos que me mandaram mensagens de apoio e solidariedade e dizer que essas palavras são fundamentais pra que a gente se sinta forte e com a esperança sempre renovada.

Valeu mesmo… e vamos correndo.

Uma lesão no coração

quarta-feira, fevereiro 3, 2010 Posted by Augusto

foto

Ontem, por um instante me faltou o ar. Em segundos, meus batimentos cardíacos saltaram de 70 para 140. Um calafrio tomou conta de mim e a sensação de impotência diante do inevitável era arrasadora. A vontade imediata era de sumir, gritar, sei lá. Foi difícil, um golpe muito duro para um cara que há pouco estava conseguindo colocar a vida no prumo depois de anos vendo o tempo passar apenas como telespectador e não como protagonista, esperando e desejando um futuro mais abonado, livre de tantas privações.

O celular tocou e o baque foi imediato. Era minha esposa com um infeliz comunicado: “Gu, fui despedida”. Fiquei mudo, muita coisa me veio na cabeça naquele momento e a princípio cheguei a não acreditar, mas era verdade.

Meu dia acabou ali. Levantei da minha mesa atordoado e fui tomar uma água e respirar um pouco fora da agência. Todos os quatro anos em que ela ficou desempregada, desde que um imbecil de um patrão machista a mandou embora assim que soube que ela estava pensando em engravidar, me passaram pela cabeça.

Tempos difíceis, mas brindados com o nosso bem mais precioso, o Gustavo, nosso filhotão. Confesso que foi difícil administrar estes quatro anos e passamos por muita coisa que fiz um esforço enorme pra apagar da minha mente. O que me manteve em pé foi justamente o meu filho, que mesmo na sua inocência diante daquela realidade, sorria pra mim como se agradecesse por estar ali tendo nós como seus pais.

Aprendemos muito nessa época, principalmente sobre os valores da vida, o significado verdadeiro de riqueza, e sentimos na pele o desprazer de não poder satisfazer uma vontade por menor que fosse.

Faltava o papel. Esse papel que faz toda a diferença na vida do homem, é ele quem decide quem manda, quem aparece, quem pode, quem vive e até quem morre.

Engordei nesse período, fumava como chaminé, meu colesterol, assim como o triglicérides, viviam nas alturas, tudo agravado pela situação, que não me mostrava caminhos, apenas me passava a perna e parecia me empurrar cada vez mais pra baixo. Pensei até em ser desonesto e chutar todas as dívidas para o alto, mas isso nunca fez parte da minha índole, e por mais que nos faltasse, não deixava uma conta sequer sem saldar.

Nosso filho foi crescendo e diante dele, nunca deixamos transparecer os dias de sufoco, de olhar um pra cara do outro, sem conseguir imaginar o que seria do dia seguinte. Graças a Deus tivemos ajuda da minha mãe e da minha sogra, que nos socorreram nos momentos mais difíceis e abrandaram um pouco aquela sensação de inferioridade.

Depois de muito correr atrás, apareceu a chance que a gente esperava há anos: uma vaga de biomédica num laboratório conceituado na cidade. Era a volta à vida, um banho de alto estima que ela precisava e que a gente sonhava a tempos.

Outra vida, as coisas caminhando, graças a essa reviravolta consegui forças pra parar de fumar, começar a dar minhas caminhadas e a me sentir gente de novo. Vontade de cuidar novamente de mim depois da surra que a vida me deu por um certo tempo, me deixando marcas que nenhum prêmio da loteria as farão desaparecer.

As vezes penso que quem não me conhece, tem uma visão distorcida de mim. É fácil falar “ah, o cara corre com tênis top de linha, iPod de última geração, Garmin no pulso, faz musculação numa academia cara, treina numa assessoria com um treinador experiente e participa de provas caras quase todo mês, deve nadar em dinheiro”.

Agora, ninguém vê o malabarismo que eu faço pra ter esses pequenos luxos. Para treinar na assessoria, troco minhas planilhas pelo meu trabalho de diretor de arte, criando algumas peças e dando suporte na área de marketing. Para treinar na academia, o trato é o mesmo. Meu melhor tênis, um Nimbus 10, foi trocado pelo desenvolvimento de um hotsite.

Para ter meu Garmin, dei todas as minhas economias dos serviços extras e mesmo assim, pagando um preço diria de custo, para o Dr. Barone, meu cardiologista, que já considero meu amigo, que havia comprado em NY durante a maratona, mas que não tinha se adaptado com ele.

Meu iPod a mesma coisa.Um amigo veio para o Brasil e me trouxe pelo preço de lá.    

Só consigo participar das provas porque conto com um pequeno patrocínio da agência onde trabalho, que me possibilita pagar inscrições e viagens curtas.

Tudo conquistado na raça, com meu trabalho e alguma criatividade, e com a ajuda de pessoas que confiam em mim e que sabem da minha vontade de vencer.      

E ontem, depois de conseguir sair de um grande buraco com muito custo, a notícia que eu menos queria ouvir me abateu novamente. E ela só foi despedida por ser honesta, por falar verdades onde a mesquinharia imperava e onde o dinheiro era muito mais importante que a saúde dos pacientes.

Tenho fé de que desta vez o caminho será mais curto, que logo outra porta se abrirá pra ela e que não voltaremos no tempo, um tempo que gostaria muito de poder apagar definitivamente da minha vida. Desta vez estamos mais fortes pra lutar e acho que merecemos vencer.

Este post foi um desabafo mesmo, mas para as pessoas que sei que sempre me deram força e que mesmo sem conhecer pessoalmente, fazem parte do meu dia-a-dia e me empurram pra frente apenas com palavras. Obrigado a todos.

E vamos correndo… pois a vida continua e vontade de vencer não vai faltar.

O Rio de Piracicaba vai jogar água pra fora

terça-feira, fevereiro 2, 2010 Posted by Augusto

prdp

Pelo menos por aqui São Pedro resolveu fazer as pazes com a gente e fechou a torneira durante o dia. E acho que pra compensar e secar todo o estrago mandou um sol e um calor de mais de 30 graus. Af!

Bom, melhor assim, já tava enjoado de chegar em casa ensopado, tanto correndo quanto de bike. Sorte pra minha geladeira, que parou de servir de secadora de tênis.

Desta vez a chuva causou estragos em vários pontos da cidade mas uma das regiões mais afetadas foi justamente onde se encontra o parque da Rua do Porto, que fica às margens do rio Piracicaba e que serve como opção (uma das poucas) para as pessoas treinarem. Na foto acima, ele está bonitão. Hoje, toda essa parte que se vê na foto ta debaixo d’ água, juntando com o rio ao fundo.

Sobrou a nossa Esalq-USP, com um percurso variado, com várias subidas e descidas, mas que não oferece muito aos corredores. O único banheiro fecha às 6 da tarde, justamente no horário que começa encher de gente.

Não tem também lugar pra guardar bicicletas com segurança e não se pode estacionar na área interna da universidade depois das 6.

A diferença cultural também é gritante. Enquanto a USP de Sampa oferece o espaço às assessorias, por aqui é isso é proibido. Meu treinador tentou colocar apenas um banner por lá, pleiteou junto à diretoria que, pela conversa, ele já percebeu que não fazia nem idéia do que era uma assessoria esportiva e não deixou. Nossos treinos com a galera limitaram-se a esse lugar, mas pra reunir e tomar um Sport Drink depois do treino, só do lado de fora do portão.

Infelizmente o parque da Rua do Porto ainda está interditado e mesmo depois das águas baixarem, a sujeira e o mal cheiro levam dias pra sair.Voltando a falar da nossa USP, é de se estranhar que uma universidade desse porte seja tão ignorante nessa questão e não contribua para incentivar a prática esportiva. Mas infelizmente é assim.

Também gosto de treinar pelas ruas mas o perigo é bem maior, ainda mais se tiver sozinho. Motorista por aqui não é lá muito educado com corredores. Mos dias em que voltei correndo ou de bike pra casa, debaixo de chuva forte, foi comum ser encharcado por motoristas engraçadinhos que de propósito passavam a toda velocidade nas poças que estavam por perto.

Correr na rua também tem o incômodo de ter de diminuir o ritmo a todo instante pra atravessar ruas, descer e subir calçadas, escapar de motoqueiros que vem pra cima quando estamos rente ao meio fio.

Mas fazer o quê, o negócio é esperar as águas baixarem e voltar para o nosso bat-local. Enquanto isso, a gente inventa.

E vamos correndo!

Isso não Pod

segunda-feira, fevereiro 1, 2010 Posted by Augusto

black-ipod-shuffle

Que Steve Jobs é o cara, todo mundo já sabe. Inovador, visionário, a frente do nosso tempo, tudo isso é verdade.

Mas que deu uma grande pisada com nós, praticantes de atividade física, ah, isso deu!

Recentemente adquiri um iPod Shuffle 3ª geração, igual ao da foto, já que o meu antigo começou apresentar problemas, e como não fico sem música pra correr, aproveitei a vinda de um amigo ao Brasil e fiz minha encomenda.

O meu antigo Shuffle agüentou bem o tranco. Correu várias provas comigo, treinou debaixo de sol escaldante, chuvas torrenciais e sempre tava lá, positivo e operante. Ainda funciona bem, mas perdeu uns 10% da potência do fone, o que, para um chato e perfeccionista como eu, já o rebaixa para um aparelho com problemas. Além do mais, gosto de ouvir “no talo”, como dizem por aqui quando tá no volume máximo.

Chegando o novo brinquedinho, já gostei por causa do tamanho, minúsculo e com apenas um único botão.

Fora a qualidade do som, que até agora não ouvi em nenhum outro MP3, a inovação está no controle de volume, play, stop…. essas coisas. Fica no fio do fone, bem ao alcance das mãos e tem apenas um sinal de + e outro de – e o do meio.  Mas tudo que a gente precisa se faz por ali: aumenta o volume, abaixa, coloca a música seguinte, a anterior e ainda ouve uma voz do além dizendo todas as playlists que tem ali, é só você encontrar a de sua preferência e dar play. Fantástico.

O que a galera do Steve Jobs se esqueceu é que, a grande maioria dos usuários deste minúsculo aparelho o utilizam para a prática esportiva e produziu esse controle totalmente sensível ao suor.

No primeiro dia, ok. Segundo, tudo bem. Mas logo o controle começou a ficar meio besta, a voz feminina ficava toda hora me falando a playlist, os botões de volume tinham vida própria e ficavam brincando de sobe –desce entre eles sem o meu consentimento.

Achei estranho, mas até cair a ficha de que o suor do dedo, ao trocar de faixa e aumentar o volume, demorou um pouco. Faltava mesmo acreditar numa falha tão grotesca como essa.

Procurei em vários fóruns sobre esse assunto e descobri que muitos, mas muitos mesmo, tiveram o problema, todos eles relacionados à umidade que escarafunchando um pouco mais descobri que foi uma falha de projeto no desenvolvimento do fone, algo que vindo de uma Apple, é como se tivessem lançado um pé-de-pato que não se pode molhar.

Entrei em contato com o 0800 oficial da Apple e o cara, com uma educação e postura de mandar qualquer atendente da Telefonica para os quintos do inferno, apenas pediu o número de série do aparelho e assim já me passou todos os dados, onde foi comprado, cor, quantos dias tinha ainda de garantia… não precisa nem da nota fiscal, os caras rastreiam tudo apenas pelo serial.  Parece o Brasil…hehe.

Encaminhei o Shuffle para Campinas, que era a assistência mais próxima e no mesmo dia já tive o retorno atencioso me dizendo que o fone seria trocado sem ônus e que até o dia 10 deste mês já estará em minhas mãos.

Realmente fiquei espantado com o atendimento e profissionalismo, já que por aqui estamos acostumados a ouvir sempre “vamos estar te ferrando, consumidor de merda” e depois “tu, tu, tu”.

Quando recebê-lo já sei o que fazer, vou encapar o controle com fita veda-rosca (dica de uma pessoa do fórum) e ver o que é que dá.

Não vai ficar bonito, mas pelo menos não vou ter de agüentar os botões de volume medindo forças e a voz feminina dizendo num inglês mecânico “ulrtradje arígor”.

Ótima semana a todos… e vamos correndo!

Direito de resposta

sexta-feira, janeiro 29, 2010 Posted by Augusto

corpore

No post de ontem, dia 28, “Mãos ao alto!”, sobre o aumento no valor das inscrições, cheguei a citar a Corpore, que inclusive tem todo o meu respeito e considero a melhor organizadora de provas, e recebi um réplica do Edgard, pelo que pesquisei, é o secretário geral da Corpore, que em defesa da organização me mandou a seguinte resposta:

 “Augusto,

 Verdade e Mitos

 O apoio de patrocinadores está cada vez mais difícil até pela crescente quantidade de Organizadores.

Os custos são crescentes seja dos insumos, seja das taxas, documentação, autorizações.
No ano de 2009 mantivemos os nossos eventos mesmo com redução radical nos patrocínios por conta
da crise. Ano de 2010 começa e não temos até o momento qualquer patrocínio já firmado.

Em 2009 consumimos a reserva Corpore destinada a sobrevivência. Em 2010 não há mais
como repetir 2009 sob pena de encerramento das atividades da Entidade.

Relutamos sempre em aplicar quaisquer reajustes e só o fazemos em casos de absoluta necessidade.

Não cobramos a taxa de conveniência pelas inscrições feitas na Internet (hoje perto de 90% delas),

Não cobramos as taxas cobradas pelo Banco e pelas Administradoras de Cartões.

Parcelamos pagamento no Cartão.

Oferecemos desconto relevante aos associados que pagam uma anuidade de 50,00 e que usufruem
de uma série de benefícios além dos descontos propriamente ditos.

Temos uma Sede que funciona 12 meses no anos, tenhamos ou não eventos, e que precisa ser
mantida.

Respeitamos o Estatuto do Idoso que determina 50% de desconto aos atletas com 60 anos e mais.

E aplicamos nos programas sociais como a inclusão dos deficientes e seus guias (não pagam inscrições),
arrecadamos tênis usados para doações, realizamos a reciclagem dos resíduos que são encaminhados
para a Coop.Glicério, entre outros.

Toda receita é investida na Entidade, que é sem fins lucrativos, a fim de melhorar os serviços
aos atletas.

 Vamos em frente

Edgard” 

Achei legal o retorno com as devidas explicações porque, mesmo sem ser associado, participo das provas e sou “consumidor” pagante dos seus serviços.

Só comentei com ele que seria interessante que essa informação aparecesse no site em forma de comunicado, pra todos saberem o porquê dos aumentos. Acho que isso iria trazer ainda mais credibidade a eles.

 E vamos correndo!

Ontem e amanhã

sexta-feira, janeiro 29, 2010 Posted by Augusto

tecno

Hoje temos muita informação.

Sobre qualquer assunto, em apenas alguns cliques temos tudo aqui na tela do computador.

Nós corredores, também utilizamos essa poderosa ferramenta pra sanar algumas dúvidas, fazer inscrição online para as provas, procurar dicas de nutrição, planilhas, lesões e o que, a meu ver é a melhor de todas as facilidades, trocar informação quase que instantaneamente com corredores do mundo todo.

Entrei nesse assunto pois todos os dias quando vou levar minha esposa ao trabalho, às 6 da manhã, cruzo com um senhorzinho que aparenta uns 70 anos, cara e corpo de corredor de longa data e que, com chuva, frio, vento, tá lá correndo, em passinhos curtos e rápidos com tênis surrados mas disposição de garoto.

Hoje, quando o vi correndo na chuva, fiquei imaginado como era na época em que ele começou a correr, vamos imaginar há 40, 50 anos. Imagino que nesse tempo as informações sobre corrida inexistiam, era calçar um tênis qualquer, ou até mesmo descalço, comer alguma coisa e pé na terra.

Nada de refeição balanceada receitada por nutricionista, tênis específico para o tipo de pisada, camiseta em dry fit, géis de carboidrato, isotônicos, monitor de freqüência cardíaca ou GPS. Exame ergoespirométrico, colesterol, triglicérides, eletrocardiograma, provavelmente nada disso fazia parte daquele tempo e mesmo assim, sem nenhuma informação, corriam guiados pelas sensações do corpo, única ferramenta disponível.

Provavelmente naquela época, caras correndo sozinho pelas estradas de terra deviam ser considerados malucos. Hoje é tudo muito diferente, somos dependentes cada vez mais de informações e tecnologia e não sei se isso tem um lado tão bom assim.

Eu, pelo menos, se saio pra correr e percebo que o Garmin tá sem bateria, sinto uma certa insegurança pois sei que vou fazer todo o treino sem monitorar minha FC. Se dói um pouco as pernas, já boto a culpa no tênis de 500 pratas que já deve estar um pouco gasto.

Se chego no final do treino cansado demais, culpo a alimentação mal feita. A dúvida que fica é: será que com tanta informação assim, que por um lado é bom, mas pelo outro nos limita bastante, estaremos correndo saudáveis e despreocupados daqui há 40 ou 50 anos?

Um ótimo final de semana a todos… e vamos correndo!

Mãos ao alto!

quinta-feira, janeiro 28, 2010 Posted by Augusto

cedulas-real01

Ano novo e logo começam a pipocar no calendário as provas de corrida de rua.

E começando a dar uma olhada, pra ver quais eu pretendo fazer este ano, pelo menos uma coisa eu já percebi: o aumento de preço das inscrições.

Adidas aumentou, Track&Field aumentou, meia da Corpore também, entre outras. O aumento foi, em média, de 10 reais.

A pergunta que me encuca é: PORQUÊ?

Praticamente todas as provas são patrocinadas, então porque aumentar o valor da inscrição já que o percurso é o mesmo, o número de corredores é o mesmo, o kit idem? Que a procura pelas provas de rua aumenta a cada dia é fato, mas que isso faça com que organizadores famintos por lucro aumentem indiscriminadamente e sem justificativa nenhuma as inscrições já é um abuso.

Mas infelizmente esse caso segue a regra e se encaixa também no lance da “oferta e procura”, mais corredores, o preço sobe. Já pretendia fazer menos provas este ano, focando mais as de 21K que sempre tem menos muvuca (salvo a do Rio) e esse aumento só me fez confirmar essa opção.

E o pior é que esse aumento provavelmente não vai refletir em melhorias na organização ou nos kits, antes fosse. No meu caso, que moro fora das capitais onde acontece a maioria das provas legais, ainda tem o custo da viagem.

Se continuar assim, acredito que um dos reflexos será o grande aumento dos “pipocas” nas corridas, o que acarreta mais problemas para a organização. Não ligo de pagar pra fazer uma prova, desde que o preço seja justo e o que a gente receba em troca seja condizente e não pagar mais pra ter cada vez menos e pior.

Mas isso é Brasil… e vamos correndo.

Onde está o limite?

terça-feira, janeiro 26, 2010 Posted by Augusto

andersen

Qual é o nosso limite? O que é certo e o que é errado? Quanto? Como?

Por mais que a ciência nos mostre fórmulas, números e pesquisas, será que tudo isso serve para todos? Estas são perguntas que um dia já devem ter feito parte da vida de vocês também, durante algum treino, prova, ou mesmo numa lesão.

Corredor, pelo menos a maioria que eu conheço, é um bicho teimoso, obstinado e não costuma dar ouvidos quando alguém ou alguma coisa aparecem no caminho e ameaçam obstruir e até mesmo fazer parar a sua maior paixão que é correr.

Já vi alguns amigos que chegaram, diante de uma lesão, trocar de ortopedista quando este sugeriu parar de correr por outro que apenas mandou diminuir volume e intensidade. Desde o começo fui extremamente fiel à planilha e ainda sou.

Durante a semana, sigo tudo como tá lá no papel mesmo que o treino me deixe com os bofes de fora. Sei que aquele treino, que foi feito por um professor experiente e com base em estudos, por mais que me canse não vai me prejudicar.

Mas ultimamente venho tomando umas “puxadas” do meu treinador por avançar o sinal e aumentar por minha conta o volume dos longões. Pelas planilhas, deveria fazer entre 14, 15K, mas o teimoso aqui, não contente, faz 18 e agora 21K.

É claro que nem todo teimoso é burro. Faço isso porque percebo que consigo numa boa. Mesmo depois de fazer pela primeira vês os 21K posso dizer que tinha perna e fôlego pra mais um bom tanto. Terminei bem, tanto é que, depois desse treino cheguei em casa e tive apenas tempo pra tomar um banho. Minha esposa já me pegou pra sair e consegui parar pra sentar um pouco só lá pelas 3 da tarde. Sem seqüelas.

Acho que o que faz da corrida um esporte viciante, além do fator saúde, é justamente esse lance da superação, de quebrar barreiras, vencer limites. Sem isso, não teria a menor graça.

Se estou me arriscando fazendo os longos do meu jeito? Acredito que sim. Mas o que é que na vida nos dá mais prazer e adrenalina do que arriscar certas coisas?

O Rogério, meu treinador, até achou que eu tinha ficado “bolado”, no carioquês dele, quando me deu um esporro via e-mail, sobre esse longo de 21. Não fiquei não. Ele ta fazendo o papel dele, afinal, o cara estudou e sabe bastante sobre o assunto e só quer que a equação treino/retorno seja equilibrado. Concordo plenamente com ele.

Mas, ninguém melhor que a gente mesmo pra sentir os limites do próprio corpo e saber quando pode arriscar e quando parar. E você, faz parte da turma dos teimosos como eu ou segue à risca as planilhas?

Abraço… e vamos correndo!